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Dinheiro do negócio

Fluxo de caixa do MEI numa folha: entradas, saídas e o mês seguinte

Monte o fluxo de caixa do MEI numa folha só: entradas, saídas, saldo, prazo da maquininha e previsão do mês seguinte para não ser pego de surpresa no mês fraco.

Atendido por Redação Guia do MicroempreendedorRevisado em · 5 min de leitura · Nível iniciante
O que tem neste guia 9 partes

Por que olhar a data, e não só o valor

Muito negócio dá lucro e mesmo assim fica sem dinheiro. Isso acontece porque as datas não batem:

  • você vende no crédito hoje, mas o dinheiro cai daqui a semanas;
  • o fornecedor quer pagamento à vista;
  • o DAS vence todo mês no mesmo dia, venda você ou não.

O fluxo de caixa coloca tudo na linha do tempo. É diferente do relatório mensal de receitas, que registra quanto você faturou no mês para fins fiscais.

A folha mínima

Uma linha para cada movimento, com estas colunas:

Data Descrição Entrada Saída Saldo

Comece com o saldo atual da conta do negócio na primeira linha. A cada movimento, o saldo novo é:

saldo anterior + entrada - saída

Se você ainda mistura conta pessoal e do negócio, o fluxo fica confuso. Antes, leia o guia sobre separar o dinheiro do MEI do dinheiro de casa.

O que entra e o que sai

Entradas comuns:

  • vendas em dinheiro e Pix (entram no dia);
  • vendas no débito e no crédito (entram no dia em que a maquininha deposita);
  • pagamento de cliente que comprou a prazo ou por boleto.

Saídas comuns:

  • compra de mercadoria e material;
  • DAS do mês;
  • aluguel do ponto, energia, internet, transporte;
  • taxas e tarifas;
  • parcelas de equipamento;
  • a sua retirada.

A retirada é uma saída como as outras. Se ela não estiver no fluxo, o saldo parece maior do que é.

O prazo da maquininha muda tudo

Cada contrato de maquininha define em quantos dias o dinheiro do débito e do crédito cai na conta. Esse prazo precisa ir para o fluxo.

Exemplo hipotético: se o seu contrato diz que o crédito à vista cai em 30 dias, uma venda de R$ 500 feita no dia 10 de março entra no fluxo em 9 de abril, e não em março. Já descontada a taxa, se for de 4%: R$ 500 - R$ 20 = R$ 480.

Antecipar esse dinheiro é possível, mas tem custo. Anote a taxa da antecipação como saída sempre que usar. Mais detalhes no guia sobre Pix e maquininha no CNPJ.

Exemplo: prevendo o mês seguinte

Imagine um MEI que vende açaí e tem, no fim de um mês hipotético, R$ 1.200 na conta do negócio. Ele monta a previsão do mês seguinte:

Data Descrição Entrada Saída Saldo
1 Saldo inicial R$ 1.200
5 Retirada do dono R$ 1.500 -R$ 300
8 Vendas Pix e dinheiro da semana R$ 900 R$ 600
10 Compra de polpa e copos R$ 800 -R$ 200
15 Cartão de vendas do mês anterior R$ 1.400 R$ 1.200
20 DAS (valor do exemplo) R$ 80 R$ 1.120
22 Vendas Pix e dinheiro R$ 1.000 R$ 2.120

O saldo fica negativo no dia 5 e de novo no dia 10. Isso significa que, se nada mudar, ele vai precisar do cheque especial ou atrasar uma conta.

Com a previsão em mãos, ele pode:

  • mudar a retirada para o dia 15, depois que o cartão cai;
  • negociar a compra de polpa para pagar no dia 16;
  • usar parte da reserva do negócio para atravessar a primeira quinzena.

Note que o valor do DAS acima é só para o exemplo. O valor real muda todo ano e está no Portal do Empreendedor.

O mês fraco que dá para ver de longe

Quase todo negócio tem meses mais fracos: o meio do ano para quem vende sorvete no Sul, os meses depois da volta às aulas para quem vende material escolar, os meses sem festa para quem faz decoração.

Uma vez por ano, faça a previsão dos doze meses só com os totais:

  1. escreva, para cada mês, quanto espera de entrada (use o ano anterior como base);
  2. escreva as saídas fixas, que mudam pouco;
  3. veja em quais meses a entrada não cobre a saída.

Esses meses mostram quanto você precisa ter guardado antes. É dessa conta que nasce o valor da reserva do negócio.

Cliente que paga a prazo

Se você vende fiado ou para empresa que paga em 30 dias, coloque a entrada na data combinada, e não no dia da venda. Quando o cliente atrasar, mova a entrada para a nova data e veja o efeito no saldo. Fica fácil perceber quanto um atraso custa para o seu mês.

Rotina de 15 minutos por semana

  • Lance as entradas e saídas da semana pelo extrato e pelo caderno de vendas.
  • Atualize o saldo.
  • Olhe as duas semanas seguintes: alguma data fica negativa?
  • Se sim, decida hoje o que fazer (adiar compra, cobrar cliente, mudar a data da retirada).

O Banco Central e o Sebrae oferecem materiais gratuitos de organização financeira que podem servir de modelo para a sua planilha.

Sinais de que o fluxo está avisando algo

  • Saldo negativo em pelo menos um dia todo mês.
  • Uso frequente do cheque especial ou do limite da conta da empresa.
  • Antecipação de cartão virando hábito.
  • Saldo que cai mês após mês, mesmo com vendas estáveis.

Quando isso acontece, vale revisar o preço com o guia de como calcular o preço de venda e o valor da sua retirada.

Próximos passos

  1. Abra uma folha ou planilha com as cinco colunas e coloque o saldo atual.
  2. Lance os movimentos dos últimos sete dias para pegar o jeito.
  3. Descubra no contrato da maquininha o prazo de cada modalidade.
  4. Faça a previsão das próximas quatro semanas e marque os dias negativos.
  5. Reserve 15 minutos fixos por semana para atualizar.

Perguntas que chegam no balcão

Fluxo de caixa é a mesma coisa que o relatório mensal de receitas?
Não. O relatório mensal registra só o faturamento, para fins fiscais. O fluxo de caixa registra todo dinheiro que entra e sai da conta do negócio, com as datas, para você saber se vai ter saldo para pagar as contas.
Preciso de programa pago para fazer fluxo de caixa?
Não. Uma folha de caderno ou uma planilha simples resolve. O importante é anotar toda entrada e saída com a data em que o dinheiro realmente cai ou sai.
Venda no cartão de crédito entra no dia da venda?
No fluxo de caixa, entra no dia em que o dinheiro cai na conta, conforme o prazo do contrato da maquininha. No relatório mensal de receitas, a venda conta no mês em que foi feita.

Onde conferir na fonte

Aviso do balcão. Este guia é educativo e não substitui contador, advogado ou o atendimento oficial. Valores, prazos e limites mudam; confira sempre a regra vigente na fonte oficial antes de decidir. O Guia do Microempreendedor não vende abertura de CNPJ, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.
Quem atende: Redação Guia do Microempreendedor

Escrevemos a partir das regras publicadas pela Receita Federal, pelo Portal do Empreendedor e pelo INSS, sem vender produto e sem receber para indicar ninguém. Achou um erro ou uma regra que mudou? Avise a redação; corrigimos e registramos a data. Próxima revisão: 22 de abril de 2027. Como trabalhamos.

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