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Dinheiro do negócio

Como calcular o preço de venda sem trabalhar de graça

Passo a passo para o MEI formar preço com custo direto, despesas fixas, DAS, taxas e o valor do próprio trabalho, com exemplo de produto e de serviço.

Atendido por Redação Guia do MicroempreendedorRevisado em · 5 min de leitura · Nível iniciante
O que tem neste guia 10 partes

As quatro peças do preço

Todo preço saudável tem quatro partes:

  1. Custo direto: o que vai em cada unidade vendida (ingrediente, embalagem, peça, material).
  2. Rateio das despesas fixas: a fatia de cada venda nas contas que chegam todo mês, vendendo ou não (DAS, aluguel, internet, sua retirada).
  3. Custos sobre a venda: o que é cobrado em porcentagem do preço, como a taxa da maquininha ou a comissão de um aplicativo de entrega.
  4. Margem: a sobra que vai formar reserva e permitir crescer.

O DAS do MEI é fixo por mês, e por isso fica na peça 2, não na peça 3. O valor é atualizado todo ano; confira o vigente no Portal do Empreendedor.

Passo 1: custo direto por unidade

Liste tudo o que vai em uma unidade. Se você compra em pacote, divida.

Exemplo: um pacote de 100 embalagens custa R$ 50. Cada embalagem custa R$ 50 ÷ 100 = R$ 0,50.

Não esqueça os itens pequenos: gás, linha, etiqueta, sacola, frete do fornecedor dividido pelo pedido.

Passo 2: despesas fixas e o seu trabalho

Some as contas do mês que não dependem de quanto você vende. Inclua a sua retirada, porque você também é um custo. Se não souber quanto tirar, o guia sobre quanto o MEI pode retirar ajuda a definir.

Depois, divida pelo número de unidades que você espera vender no mês (ou de horas que espera trabalhar, no caso de serviço). Seja realista: use a média dos últimos meses, não o mês recorde.

Passo 3: custos que são porcentagem da venda

Taxa de maquininha, comissão de plataforma e outros custos em percentual não podem ser simplesmente somados, porque crescem junto com o preço. A forma correta é dividir:

preço = (custo direto + rateio fixo) ÷ (1 - percentuais da venda - margem)

Parece difícil, mas o exemplo abaixo mostra que é só uma divisão.

Exemplo com produto: bolo de pote

Imagine uma MEI que faz bolo de pote, com números hipotéticos:

  • custo direto por pote: R$ 4 (massa, recheio, pote, colher, etiqueta);
  • despesas fixas do mês: R$ 2.500 (DAS, gás, parte da energia, transporte e a retirada dela);
  • vendas esperadas: 500 potes por mês;
  • taxa média de maquininha: 3%;
  • margem desejada: 10%.

Rateio fixo por pote: R$ 2.500 ÷ 500 = R$ 5.

Custo por pote antes dos percentuais: R$ 4 + R$ 5 = R$ 9.

Preço: R$ 9 ÷ (1 - 0,03 - 0,10) = R$ 9 ÷ 0,87 ≈ R$ 10,34.

Ela arredonda para R$ 10,50. Se o bairro só aceita pagar R$ 8, a conta mostra que não adianta só baixar o preço: ela precisaria vender mais potes por mês (para diluir o fixo), cortar custo ou mudar o produto.

Exemplo com serviço: diarista

No serviço, a conta é por hora ou por diária. Imagine uma diarista MEI:

  • material por diária (produtos que ela leva): R$ 15;
  • despesas fixas do mês: R$ 2.400 (DAS, transporte, celular, retirada);
  • diárias por mês: 20;
  • recebe por Pix, sem taxa de venda;
  • margem: 10%.

Rateio fixo por diária: R$ 2.400 ÷ 20 = R$ 120.

Custo por diária: R$ 15 + R$ 120 = R$ 135.

Preço: R$ 135 ÷ (1 - 0,10) = R$ 135 ÷ 0,90 = R$ 150.

Repare que a maior parte do preço é o rateio, onde está a retirada dela. Se ela cobrasse só "o material e um pouquinho", estaria trabalhando de graça.

Peça do preço Bolo de pote Diária
Custo direto R$ 4,00 R$ 15
Rateio fixo R$ 5,00 R$ 120
Percentuais e margem R$ 1,34 R$ 15
Preço calculado R$ 10,34 R$ 150

Confira com o mercado, mas nessa ordem

Depois de ter o seu preço, compare com o que se cobra na região. Três cenários:

  • seu preço está abaixo do mercado: você pode estar deixando dinheiro na mesa, ou tem uma vantagem de custo. Avalie subir aos poucos;
  • está parecido: siga, e revise quando os custos mudarem;
  • está bem acima: reveja custo, volume e o que você oferece de diferente. Às vezes vale vender menos itens com mais qualidade.

O Sebrae tem conteúdos e cursos gratuitos de formação de preço que ajudam a aprofundar essa análise.

E quando há desconto ou promoção?

Antes de dar desconto, refaça a conta com o preço menor. Se o novo preço não cobre custo direto e rateio, cada venda da promoção tira dinheiro do caixa. Promoção só faz sentido quando aumenta o volume o bastante para diluir o fixo, ou para desovar estoque parado que já virou prejuízo.

Erros que fazem o MEI trabalhar de graça

  • Esquecer de incluir a própria retirada.
  • Usar o mês recorde como volume esperado.
  • Somar a taxa da maquininha em reais fixos, em vez de tratar como percentual.
  • Dar desconto em cima de um preço que já não tinha margem.
  • Não reajustar quando o fornecedor aumenta.

Quem acompanha o fluxo de caixa percebe rápido quando o preço ficou defasado: as vendas continuam, mas o dinheiro some.

Próximos passos

  1. Escolha o produto ou serviço que você mais vende e liste o custo direto de uma unidade.
  2. Some suas despesas fixas do mês, incluindo a sua retirada e o DAS.
  3. Faça a conta do preço com a fórmula da divisão e compare com o que cobra hoje.
  4. Anote os preços de três concorrentes da região.
  5. Marque uma revisão de preços para daqui a seis meses.

Perguntas que chegam no balcão

Posso copiar o preço do concorrente?
Olhar o concorrente ajuda a saber o que o cliente aceita pagar, mas copiar sem fazer a sua conta é arriscado. Os seus custos podem ser bem diferentes, e você pode estar vendendo abaixo do que gasta sem perceber.
O DAS entra no preço como porcentagem?
O DAS do MEI é um valor fixo por mês, não uma porcentagem da venda. Por isso ele entra junto com as despesas fixas, dividido pela quantidade de vendas ou de horas que você espera fazer no mês.
Como incluir o meu trabalho no preço?
Defina quanto você precisa tirar por mês e trate esse valor como uma despesa fixa do negócio. Assim, cada venda carrega uma parte do seu pagamento, e não só o material.
De quanto em quanto tempo devo rever o preço?
Sempre que um custo importante subir, e pelo menos a cada seis meses. Refaça a conta com os números novos antes de decidir se aumenta, mantém ou muda o produto.

Onde conferir na fonte

Aviso do balcão. Este guia é educativo e não substitui contador, advogado ou o atendimento oficial. Valores, prazos e limites mudam; confira sempre a regra vigente na fonte oficial antes de decidir. O Guia do Microempreendedor não vende abertura de CNPJ, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.
Quem atende: Redação Guia do Microempreendedor

Escrevemos a partir das regras publicadas pela Receita Federal, pelo Portal do Empreendedor e pelo INSS, sem vender produto e sem receber para indicar ninguém. Achou um erro ou uma regra que mudou? Avise a redação; corrigimos e registramos a data. Próxima revisão: 22 de abril de 2027. Como trabalhamos.

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