Reserva do negócio: quanto guardar para o mês fraco
Como o MEI calcula a reserva do negócio, separa da reserva da casa e escolhe onde deixar o dinheiro com liquidez e proteção do FGC, sem promessa de rendimento.
O que tem neste guia 10 partes
Para que serve a reserva do negócio
Ela existe para três situações:
- mês fraco previsível: a temporada baixa que se repete todo ano;
- imprevisto do trabalho: a máquina de costura quebrou, a moto precisa de conserto, o cliente grande atrasou;
- oportunidade: comprar estoque mais barato à vista antes de uma data forte.
Sem reserva, cada uma dessas situações vira cheque especial, cartão de crédito ou empréstimo, com juros que comem o lucro dos meses seguintes. O guia sobre crédito para MEI mostra o que comparar quando o empréstimo é inevitável.
Reserva do negócio e reserva da casa
São duas coisas diferentes, com donos diferentes:
| Reserva do negócio | Reserva da casa | |
|---|---|---|
| Cobre | Contas da empresa (mercadoria, DAS, aluguel do ponto) | Contas da família (aluguel, comida, saúde) |
| Onde fica | Conta do CNPJ ou aplicação ligada a ela | Conta pessoal ou aplicação no CPF |
| Quem alimenta | Parte do lucro que fica no negócio | Parte da sua retirada |
Se você ainda mistura contas, comece pelo guia de separar o dinheiro do MEI do dinheiro de casa. Sem essa separação, a reserva do negócio acaba pagando a feira e some.
Passo 1: some as saídas fixas de um mês
Pegue o seu fluxo de caixa e liste as saídas que acontecem todo mês mesmo vendendo pouco:
- DAS;
- aluguel do ponto ou da sala;
- internet, telefone, energia ligada ao trabalho;
- parcelas de equipamento;
- a sua retirada mínima (o valor sem o qual a casa não fecha).
Compras de mercadoria variam com as vendas, então entram só na parte mínima necessária para continuar funcionando.
Passo 2: conte os meses fracos
Olhe os últimos doze meses. Em quantos as entradas não cobriram as saídas? Se você tem pouco histórico, pense no seu ramo: sorvete no inverno, material escolar fora de janeiro e fevereiro, decoração fora da época de festas.
Uma referência usada em muitos materiais de educação financeira para pequenos negócios é ter de três a seis meses de saídas fixas guardados. Use isso como ponto de partida, não como regra.
Passo 3: ajuste pelo seu risco
Aumente a meta se:
- um único cliente responde por grande parte do faturamento;
- você depende de um equipamento caro para trabalhar;
- as vendas variam muito de um mês para o outro.
Pode ser menor se as vendas são estáveis e você tem vários clientes pequenos.
Exemplo de cálculo
Imagine uma MEI que faz decoração de festas, com números hipotéticos:
- DAS do exemplo: R$ 80 (confira o valor vigente no Portal do Empreendedor);
- aluguel de um depósito pequeno: R$ 400;
- telefone e internet: R$ 120;
- parcela de um equipamento: R$ 200;
- retirada mínima para a casa: R$ 1.200.
Saídas fixas do mês: R$ 80 + R$ 400 + R$ 120 + R$ 200 + R$ 1.200 = R$ 2.000.
Ela tem três meses fracos por ano, logo a meta é: 3 × R$ 2.000 = R$ 6.000.
Se ela deixar R$ 500 por mês no negócio, chega à meta em R$ 6.000 ÷ R$ 500 = 12 meses. Se só conseguir R$ 250, leva 24 meses. Começar pequeno ainda é melhor do que não começar.
Onde deixar o dinheiro
A reserva precisa de duas qualidades: saque rápido (liquidez) e baixo risco. Rendimento vem depois.
Opções comuns, sem indicação de nenhuma em particular:
- saldo na própria conta do CNPJ;
- aplicação de liquidez diária oferecida pela instituição da conta;
- outras aplicações conservadoras de resgate rápido.
Antes de aplicar, confira:
- Prazo de resgate: o dinheiro cai no mesmo dia? Há carência?
- Custos: há taxa de administração ou tarifa?
- Cobertura do FGC: o Fundo Garantidor de Créditos protege depósitos à vista, poupança e alguns investimentos, como CDB, até um limite por CPF ou CNPJ em cada instituição ou conglomerado. Quanto vale esse teto hoje e quais produtos entram na cobertura, você confere direto no site do fundo.
- Instituição autorizada: confira no site do Banco Central se ela é autorizada a funcionar.
Evite deixar a reserva em algo que você não entende ou que promete ganho alto. Reserva não é lugar de risco.
Reserva não precisa ficar toda num lugar só
Uma divisão comum é deixar o valor de um mês na conta do CNPJ, para imprevistos do dia a dia, e o restante numa aplicação de liquidez diária. Assim você não deixa tudo parado sem rendimento nem precisa resgatar aplicação para cada pequeno gasto.
Regras para usar e repor
- Use a reserva só para as três situações do começo. Viagem ou compra pessoal saem da reserva da casa.
- Sempre que usar, anote quanto e por quê.
- Depois do mês fraco, volte a guardar até repor o valor.
- Se precisar usar todo mês, o problema é preço ou custo, não reserva. Reveja com o guia de como calcular o preço de venda.
Quando a reserva estiver completa
Com a meta batida, o lucro que antes ia para a reserva pode aumentar a sua retirada ou financiar o crescimento. O guia sobre quanto o MEI pode retirar ajuda a refazer essa conta.
Próximos passos
- Some hoje as saídas fixas de um mês do seu negócio.
- Conte quantos meses fracos você teve no último ano.
- Calcule a meta e escolha um valor mensal para guardar, mesmo que pequeno.
- Confira as condições de resgate e a cobertura do FGC de onde o dinheiro vai ficar.
- Programe a transferência mensal para a reserva no mesmo dia da sua retirada.
Perguntas que chegam no balcão
A reserva do negócio é a mesma coisa que a reserva de emergência da família?
Onde deixar a reserva do MEI?
O FGC cobre dinheiro de MEI?
Onde conferir na fonte
Escrevemos a partir das regras publicadas pela Receita Federal, pelo Portal do Empreendedor e pelo INSS, sem vender produto e sem receber para indicar ninguém. Achou um erro ou uma regra que mudou? Avise a redação; corrigimos e registramos a data. Próxima revisão: 22 de abril de 2027. Como trabalhamos.
Leve também
Quem leu este guia costuma levar estes junto.
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