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Guia do Microempreendedor
Dinheiro do negócio

Reserva do negócio: quanto guardar para o mês fraco

Como o MEI calcula a reserva do negócio, separa da reserva da casa e escolhe onde deixar o dinheiro com liquidez e proteção do FGC, sem promessa de rendimento.

Atendido por Redação Guia do MicroempreendedorRevisado em · 5 min de leitura · Nível intermediário
O que tem neste guia 10 partes

Para que serve a reserva do negócio

Ela existe para três situações:

  • mês fraco previsível: a temporada baixa que se repete todo ano;
  • imprevisto do trabalho: a máquina de costura quebrou, a moto precisa de conserto, o cliente grande atrasou;
  • oportunidade: comprar estoque mais barato à vista antes de uma data forte.

Sem reserva, cada uma dessas situações vira cheque especial, cartão de crédito ou empréstimo, com juros que comem o lucro dos meses seguintes. O guia sobre crédito para MEI mostra o que comparar quando o empréstimo é inevitável.

Reserva do negócio e reserva da casa

São duas coisas diferentes, com donos diferentes:

Reserva do negócio Reserva da casa
Cobre Contas da empresa (mercadoria, DAS, aluguel do ponto) Contas da família (aluguel, comida, saúde)
Onde fica Conta do CNPJ ou aplicação ligada a ela Conta pessoal ou aplicação no CPF
Quem alimenta Parte do lucro que fica no negócio Parte da sua retirada

Se você ainda mistura contas, comece pelo guia de separar o dinheiro do MEI do dinheiro de casa. Sem essa separação, a reserva do negócio acaba pagando a feira e some.

Passo 1: some as saídas fixas de um mês

Pegue o seu fluxo de caixa e liste as saídas que acontecem todo mês mesmo vendendo pouco:

  • DAS;
  • aluguel do ponto ou da sala;
  • internet, telefone, energia ligada ao trabalho;
  • parcelas de equipamento;
  • a sua retirada mínima (o valor sem o qual a casa não fecha).

Compras de mercadoria variam com as vendas, então entram só na parte mínima necessária para continuar funcionando.

Passo 2: conte os meses fracos

Olhe os últimos doze meses. Em quantos as entradas não cobriram as saídas? Se você tem pouco histórico, pense no seu ramo: sorvete no inverno, material escolar fora de janeiro e fevereiro, decoração fora da época de festas.

Uma referência usada em muitos materiais de educação financeira para pequenos negócios é ter de três a seis meses de saídas fixas guardados. Use isso como ponto de partida, não como regra.

Passo 3: ajuste pelo seu risco

Aumente a meta se:

  • um único cliente responde por grande parte do faturamento;
  • você depende de um equipamento caro para trabalhar;
  • as vendas variam muito de um mês para o outro.

Pode ser menor se as vendas são estáveis e você tem vários clientes pequenos.

Exemplo de cálculo

Imagine uma MEI que faz decoração de festas, com números hipotéticos:

  • DAS do exemplo: R$ 80 (confira o valor vigente no Portal do Empreendedor);
  • aluguel de um depósito pequeno: R$ 400;
  • telefone e internet: R$ 120;
  • parcela de um equipamento: R$ 200;
  • retirada mínima para a casa: R$ 1.200.

Saídas fixas do mês: R$ 80 + R$ 400 + R$ 120 + R$ 200 + R$ 1.200 = R$ 2.000.

Ela tem três meses fracos por ano, logo a meta é: 3 × R$ 2.000 = R$ 6.000.

Se ela deixar R$ 500 por mês no negócio, chega à meta em R$ 6.000 ÷ R$ 500 = 12 meses. Se só conseguir R$ 250, leva 24 meses. Começar pequeno ainda é melhor do que não começar.

Onde deixar o dinheiro

A reserva precisa de duas qualidades: saque rápido (liquidez) e baixo risco. Rendimento vem depois.

Opções comuns, sem indicação de nenhuma em particular:

  • saldo na própria conta do CNPJ;
  • aplicação de liquidez diária oferecida pela instituição da conta;
  • outras aplicações conservadoras de resgate rápido.

Antes de aplicar, confira:

  1. Prazo de resgate: o dinheiro cai no mesmo dia? Há carência?
  2. Custos: há taxa de administração ou tarifa?
  3. Cobertura do FGC: o Fundo Garantidor de Créditos protege depósitos à vista, poupança e alguns investimentos, como CDB, até um limite por CPF ou CNPJ em cada instituição ou conglomerado. Quanto vale esse teto hoje e quais produtos entram na cobertura, você confere direto no site do fundo.
  4. Instituição autorizada: confira no site do Banco Central se ela é autorizada a funcionar.

Evite deixar a reserva em algo que você não entende ou que promete ganho alto. Reserva não é lugar de risco.

Reserva não precisa ficar toda num lugar só

Uma divisão comum é deixar o valor de um mês na conta do CNPJ, para imprevistos do dia a dia, e o restante numa aplicação de liquidez diária. Assim você não deixa tudo parado sem rendimento nem precisa resgatar aplicação para cada pequeno gasto.

Regras para usar e repor

  • Use a reserva só para as três situações do começo. Viagem ou compra pessoal saem da reserva da casa.
  • Sempre que usar, anote quanto e por quê.
  • Depois do mês fraco, volte a guardar até repor o valor.
  • Se precisar usar todo mês, o problema é preço ou custo, não reserva. Reveja com o guia de como calcular o preço de venda.

Quando a reserva estiver completa

Com a meta batida, o lucro que antes ia para a reserva pode aumentar a sua retirada ou financiar o crescimento. O guia sobre quanto o MEI pode retirar ajuda a refazer essa conta.

Próximos passos

  1. Some hoje as saídas fixas de um mês do seu negócio.
  2. Conte quantos meses fracos você teve no último ano.
  3. Calcule a meta e escolha um valor mensal para guardar, mesmo que pequeno.
  4. Confira as condições de resgate e a cobertura do FGC de onde o dinheiro vai ficar.
  5. Programe a transferência mensal para a reserva no mesmo dia da sua retirada.

Perguntas que chegam no balcão

A reserva do negócio é a mesma coisa que a reserva de emergência da família?
Não. A reserva do negócio cobre as contas da empresa em mês fraco ou imprevisto do trabalho. A reserva da família cobre a casa. Misturar as duas faz uma acabar gastando a outra.
Onde deixar a reserva do MEI?
Num lugar em que você consiga sacar rápido e com baixo risco, de preferência na conta do CNPJ ou em aplicação de liquidez diária ligada a ela. Confira se o produto tem cobertura do FGC e quais os custos antes de aplicar.
O FGC cobre dinheiro de MEI?
O Fundo Garantidor de Créditos cobre depósitos e alguns investimentos de pessoas físicas e jurídicas, até um limite por CPF ou CNPJ em cada instituição ou conglomerado. O valor do limite e as regras estão no site do FGC.

Onde conferir na fonte

Aviso do balcão. Este guia é educativo e não substitui contador, advogado ou o atendimento oficial. Valores, prazos e limites mudam; confira sempre a regra vigente na fonte oficial antes de decidir. O Guia do Microempreendedor não vende abertura de CNPJ, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.
Quem atende: Redação Guia do Microempreendedor

Escrevemos a partir das regras publicadas pela Receita Federal, pelo Portal do Empreendedor e pelo INSS, sem vender produto e sem receber para indicar ninguém. Achou um erro ou uma regra que mudou? Avise a redação; corrigimos e registramos a data. Próxima revisão: 22 de abril de 2027. Como trabalhamos.

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